Poesia "Maracujá" do livro "Kupahúba" de Marcia Theophilo

Ao chegar a noite, embalando-se
entre suas folhas longo-ovais
apaixonei-me quando a vi florescer
flores, estrelas vagantes, vistosas
hermafroditas, maracujá-cobra
maracujá amarelo, maracujá-açú
separou-se de seu caule, cilíndrico delicado
perde para sempre sua flor, as suas suplicas
não foram atendidas, coberta de folhas
verde som suave desaparece,
iluminando seus ramos, a flor
nos primeiros ritmos da manhã
entre tambores e canto de pássaros,
grilos. Morreu fazendo nascer o fruto
a floresta, abriu seu solo
e a recebeu em sua enorme boca
no Kuluené, Grande Xingu
entre as ondas, as suas pétalas.

Márcia Theóphilo, 2000

 

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