Poesia "Kupahúba" do livro "Kupahúba" de Marcia Theophilo

Sangue de dragão, óleo de Kupahúba
coração batendo nos tambores
o verso nasce contra o vento
a neblina desperta a noite
cruzam brilhos compactos, emergem
vozes voando nas folhas orvalhadas
Copaiba silvestre, Kupa'iwa, Kupahuba
grandes arvoredos, odoriferos
mas só a Kupahúba fêmea, densa
alça ao céu seus longos ramos
outros deuses contempla, cura as feridas
não se acham em todas as arvores
o precioso balsamo
Kupahúba deusa-fêmea
óleo precioso brota lascivo
escutam o lamento, e do seu āmago
licor precioso,
luminosa estrêla.

Os animais quando se sentem feridos
esfregam seus corpos, em Kupahúba
que dá remédio às suas dores
em breve tempo, bálsamo cor de sangue.
Uivam os tambores, ruído sem raízes
arvore batendo o coração, os tambores
escorrendo os sons, ondulantes.
Sangue de dragão, entre outras preciosas,
pau-brasil, ibirapitanga, jacarandá, pau-rei,
grossura de antigos troncos, vermelhos
balsamos jacuybas, sapucaias,
salsafrazes, tamarindos, canelas
incenso, óleo cheiroso de Kupahúba
acha-se só nas grandes matas
folhas vivas, vaivém de insetos
borboletas, macacos espiam, emergem.
Vibram tambores, sons sem raízes
árvore coração que bate
escorrem os sons como ondas.

Márcia Theóphilo, 1999

 

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